Italian families

domingo, agosto 18, 2013

A ideia que eu tenho das tradicionais famílias italianas é que falam muito alto, comem muito e bem, e adoram juntar-se. Uma imagem que eu construí, tenho cá para mim, a partir de certos filmes norte americanos que retratavam as famílias ligadas à máfia. Se corresponde à verdade ou não, isso eu não sei, mas é essa a imagem que tenho mantido viva ao longo dos anos. Quando penso nisto interrogo-me: "E nós portugueses? Seremos muito diferentes?". Se calhar não. Ainda hoje, durante um almoço de família que juntou três gerações, assisti ao cenário da típica família italiana, mas à moda portuguesa, e que continha os três ingredientes chave:
- Falavam todos muito alto, principalmente os mais velhos
- Gostam todos de comer muito e bem
- E adoram estar todos juntos sempre que se proporciona
Três características que acho muita piada, sobretudo a parte do falar alto. Eu adoro falar alto. Aquela coisa da etiqueta forçada que falar baixo é que é bonito cansa-me um bocado. "Fala mais baixo". Quando me vêm com isto, admito, aborrecem-me um bocado. "Não sabes que falar alto é falta de educação?". Hello!!??? E repreender os outros não é? O meu conceito de falta de educação é outro: faltar ao respeito ou ser mal educado. O falar alto só porque sim não encaro como sendo falta de educação, senão estaríamos todos a ser mal educados de uma maneira ou de outra. Ainda sobre o falar alto por parte dos mais velhos, noto um certo padrão. Parece que à medida que as mulheres envelhecem a voz vai ficando mais esganiçada e quando elevam o tom de voz o som entra pelo tímpano tipo espada aguçada. Acho graça... mas nesses momentos dava jeito alguns decibéis a menos, não porque ache que a pessoa esteja a ser mal educada, mas simplesmente porque aquele som agudo não me permite criar outro foco de atenção. Todos os meus sentidos passam a estar direcionados para aquela voz trémula e esganiçada da idade. Acho que só me apercebi disto há poucos anos, pois tenho a ideia de ter lido algures na minha adolescência que muitas mulheres ficavam com a voz mais grave e rouca, quase a roçar uma voz masculina, à medida que a idade avançava. Pelos vistos não é bem assim. Esta coisa da reunião regular da família em churrascadas e patuscadas é para mim algo recente, não cresci com esse hábito. É giro. Podia resumir assim o que acho sobre isso, mas seria resumir em excesso e passar uma ideia errada. O que eu quero dizer é que quando não se cresce com determinado hábito, também não se sente falta dele. É como o fumar, se nunca se fumou não se sente falta de fumar. Pode ser uma comparação mal comparada, mas não deixa de ser um bocadinho isso. Lembro-me de ser miúda e de ir com a minha família no verão a uma zona de merendas para fazermos piqueniques, mas não era propriamente um ritual instituído, acho que era porque calhava, sei lá, ou alguém lembrava-se e dizia: "E que tal se fôssemos amanhã fazer um piquenique?". Era verão, o tempo estava bom, porque não aproveitar? E lá íamos nós. Na minha inocência de criança, acho que achava aqueles momentos mais giros porque estava num ambiente diferente do que propriamente por estar com a família reunida, coisas de criança, quando achamos que a família vai estar sempre ali. Olho para essas recordações com ternura, foram momentos giros, foram mesmo... e que eu sei que não vão voltar mais, nunca mais.

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