Milan Kundera

domingo, outubro 28, 2012

"Mesmo nos dias que correm, embora o tempo da conquista tenha diminuído consideravelmente, a sexualidade é para nós como que o cofrezinho das jóias onde se encontra guardado o mistério do eu feminino".
Pág.251 - "A Insustentável Leveza do Ser"

Esta frase deixou-me a pensar. Por mais modernos que sejam os tempos, conservamos um puritanismo no que refere à sexualidade. Para muitos um falso puritanismo a nível exterior. "Que mal tem conhecer alguém e envolver-se sexualmente de imediato?", questionam os não puritanos, que por puritanismo escondem, ocultam e não gostam de falar nos seus affairs e relações. Se é assim tão normal, porque não falam com normalidade sobre o assunto? Talvez, ainda que pouco ou nada puritanos, réstias de puritanismo continuem a residir nos seus cérebros e sintam que a sexualidade continua a ser o seu cofre de jóias, por outras palavras, algo de íntimo valor. E o que tem valor não é dado de mão beijada pelo simples desejo e prazer de luxúria. Guardamos os nossos cofres de jóias com afinco, com secretismo e alguma destreza para que não sejam encontrados pelos "amigos do alheio". Assim é o tal "cofrezinho" que Milan Kundera fala no seu livro, que é o que nós temos de mais íntimo, de mais nosso e que suscita mais curiosidade de ser desvendado.

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