Finding The Millionaire In You

sábado, outubro 02, 2010

Numa altura de crise, achei por bem espreitar algum livro que pudesse estimular a minha criatividade em formas inovadoras de adquirir novas fontes de rendimento. Dinheiro em caixa dá sempre jeito! Assim, veio parar-me às mãos, de forma literal, o livro: "Descubra o milionário que há em si - Como multiplicar as suas fontes de rendimento", de Pedro Queiroga Carrilho. Era mesmo disto que eu estava a precisar, portanto veio na hora certa. Entusiasmada comecei logo a folhear a dita obra em busca de novas ideias para fazer crescer as minhas reduzidas poupanças. "Agora é que vai ser!", pensei para mim mesma, já a ver cifrões a pairarem em frente dos meus olhos. Do entusiasmo inicial, passei quase imediatamente a bocejar tais são os planos financeiros que uma pessoa tem de projectar. Isto dá imenso trabalho! Irra! Mas depois de uns bocejos iniciais, também soltei umas valentes gargalhadas com algumas ideias, na minha opinião, um bocado mirabolantes. Ora bem... Na página 29 do livro é deixada uma dica no sentido de catalisar os rendimentos: "Aproveite uma viagem de férias, à Austrália por exemplo, e abra uma conta a prazo. As taxas de juro dos depósitos a prazo na Austrália estão duas vezes mais elevadas do que em Portugal". Pois... eu até acredito que estejam, mas a ideia não era poupar dinheiro ou pelo menos fazê-lo crescer? Fiz uma simulação de quanto me custaria uma viagem de avião à Austrália no site eDreams.pt e apareceu-me um valor muito simpático: 1300€. Baratinho, baratinho! Mais alojamento e alimentação, nem faço ideia quanto custará a viagem na totalidade! Será que se eu pegasse nas minhas queridas poupanças e as depositasse num banco na Austrália, num ano eu conseguiria recuperar esses 1300€ em juros? Não sei porquê, mas acho que não... Tenho a sensação que em vez de multiplicar os meus rendimentos no sentido ascendente, estaria a fazê-lo no sentido descendente, o que não é de todo o pretendido. A página 69 do livro tem também uma dica curiosa: "Convide regularmente um milionário ou uma pessoa bem-sucedida financeiramente para almoçar". Até dava jeito, especialmente se for essa outra pessoa a pagar a conta, porque um milionário de gostos requintados não deverá querer ir almoçar comigo ao botequim da esquina comer um bitoque, mas sim a uma Bica do Sapato ou a um Gambrinus. E, uma vez mais, se a ideia é poupar dinheiro, não me parece que vá gastar tão pouco quanto isso num restaurante de gabarito. Mas se de facto me desse na maluqueira de convidar um milionário para almoçar, quem é que eu convidaria? Hmmm... Joe Berardo? Zeinal Bava? Rui Nabeiro? Belmiro de Azevedo? Deixa-me ir espreitar a minha agenda telefónica... Aaaaaah!!!! Até tenho aqui o número do tio Belmiro. 93******* está a tocar!!!! Até estou a sentir um arrepio na barriga (se calhar é da fome!).

Eu: "Boa noite! Óoo tio Belmiro, estava a pensar que podíamos combinar ir almoçar amanhã. O que lhe parece?"
Tio Belmiro: ...
Eu: "Óptimo, óptimo! Não se preocupe, vou já encomendar sapateira, lagosta e camarão tigre como o tio Belmiro gosta!"
Tio Belmiro: ...
Eu: "Perfeito! Às 13h00 então. Até amanhã! Encontramo-nos na marisqueira do costume"

Afinal até foi fácil! Quem diria que bastava um simples telefonema para ir almoçar com um milionário. Nós é que gostamos de complicar as coisas. Eles até estão cheios de tempo livre! Não têm nada para fazer! Nem têm os negócios para tratar!

Isto tudo para dizer que multiplicar os rendimentos desta forma não me parece que vá resultar! Venham os planos de contenção do governo e uma pessoa que se aguente.

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