Talk to her

sábado, agosto 01, 2009


De folga, deitada no sofá da sala a namorar e a ver um filme. "Fala com ela", de Almodóvar, foi a escolha para sábado à tarde. Tinha ouvido falar bem do filme. O que achei? Fiquei um pouco desiludida. Quem já viu a película sabe que o grande tema é o coma, mas há outros temas envolvidos como o amor obsessivo, o ser passado para trás, a confiança e as vidas que se cruzam. É um pouco ao estilo do filme "Closer", sendo que este tem como tema central o sexo, traição, fidelidade e confiança. Fiquei um bocado desiludida porquê? Porque pensava que no final a rapariga que estava em coma ia dizer: "Aprendi tantas coisas e lembro-me de tudo o que me foi dito enquanto estive em coma". Acho que iriam cair-me as lágrimas se fosse este o final. Mas foi totalmente diferente do que esperava. Um homem, quase psicopata, cuidava da paixão obsessiva da sua vida, falava com ela e contava-lhe tudo no coma e violou-a, ao ponto dela engravidar. Foi devido a ter tido o bebé, como se vem a saber mais tarde, que saiu do coma. É algo positivo no meio de algo totalmente reprovável. Só alguém com uma mente altamente perturbada tem relações sexuais com alguém que está em coma, ainda que a ame loucamente. O final não foi, na minha opinião, o merecido. Esse tal psicopata fez amizade com um fulano no hospital e é esse tal Marco que vem a cruzar-se com a rapariga do coma, a Alicia e se apaixonam. Queria tanto que ela tivesse dito: "A tua voz parece-me familiar". Ele: "É natural". Ela: "Lembro-me das tuas conversas com o Benigno". Isto era fantástico, ouro sobre azul.
Será que as pessoas quando estão em coma conseguem realmente ouvir o que lhes é dito? Memorizam e recordam-se mais tarde dos monólogos a elas dirigidos? Não sei até que ponto isso não seria torturante para o paciente, principalmente se houvesse alguém que estivesse a falar mal. Já ouvi uma história, algo recambolesca, que um tipo estava supostamente em coma e julgaram que tinha morrido. Acho que o coração parecia ter deixado de bater. E o tipo ouviu os médicos dizerem: "Este já foi. Temos de leva-lo para a morgue". Segundo me foi contado, o homem ao ouvir aquilo entrou em pânico, mas não conseguia reagir, levou ainda algumas horas. Quando conseguiu acordar saiu a correr pela porta da morgue apenas com uma bata a cobrir-lhe o corpo nú. De facto, há casos em que a pulsação e os batimentos são tão baixos que quase cria a sensação de morte, isso até tem um nome específico, se calhar era o caso dele. Não creio é a 100% que no comum coma as pessoas possam ouvir. Por via das dúvidas, não custa nada falar com elas e dar-lhes conforto.

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2 comentários

  1. Vale a pena, mas não é um GRANDE, GRANDE filme. Não vás cheia de espectativas. O argumento é bom, mas acho que falta um "tchan" para espevitar. Kiss

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