Secretism

segunda-feira, maio 18, 2009

Há pessoas que fazem secretismo das mais variadas coisas. Sempre ouvi dizer que não se deve expor a vida privada em demasia, mas há quem exagere nisso. Contudo, o contrário, saber a dos outros, nunca tem mal nenhum... Lembro-me da minha mãe me dizer isto dezenas de vezes, que às vezes perguntava a pessoas com quem convivia: "Como tem passado?"; "O seu marido está bom?"; e que as pessoas reagiam de uma forma um tanto ou quanto brusca. Não se percebe... Se calhar deveriam pensar que certas perguntas são normais e não são necessariamente uma intromissão à sua esfera mais íntima. Quando o meu pai ficou doente e as pessoas ficaram a saber, os papéis inverteram-se e já eram os outros a querer saber "como está o seu marido? Está melhor?". Sempre vi a minha mãe responder. Está doente! Ok! As pessoas adoecem. É uma pergunta normal. Se for algo de muito grave e constrangedor até se compreende que se possa desviar o assunto, é aceitável, há coisas que nos podem deixar embaraçados e envergonhados, com medo da censura e olhares recriminatórios dos outros. Compreendo perfeitamente que pessoas com doenças infecto-contagiosas não digam que as tenham, não é aceitável socialmente. Para além que nestes casos quando se torna do conhecimento público que têm uma doença desta natureza, as pessoas afastam-se e há quem perca inclusivamente os seus empregos. Mas ninguém perde o emprego por dizer que foi operado às amigdalas, que foi tirar varizes, que tem um problema gastrointestinal, uma unha encravada, etc. Mas tenho aprendido com estas pequenas lições. Por um lado, se calhar, a deixar de ser menos solidária ou preocupada com os outros. Se não perguntamos é porque somos insensíveis, se perguntamos é porque queremos saber de mais. Contudo, cada vez mais me convenço que é no estar calado que muitas vezes está o ganho.

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8 comentários

  1. às vezes é mesmo. Mais vale estar calado... Eu tb já aprendi a minha lição.. Muitas x's prefiro passar por insensivel.. :)

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  2. Ms. Myself, concordo! Há tempos foi isso mesmo que eu fiz. Apesar de encarar a morte com algo natural, nunca sei como falar com as pessoas quando lhes morre um familiar, então, quando morreu o familiar de uma pessoa com quem convivo de perto nem toquei no assunto. Julgo que a pessoa não terá ficado chateada comigo, mas de facto não sei como falar sobre isso. O que é que se diz a alguém numa altura destas? Nada é suficiente. Mais vale não dizer nada do que sair asneira.

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  3. é uma questão de bom senso e saber com quem se está a falar.

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  4. O problema é que neste mundo tudo anda ao contrário.. não há um concenso..
    Eu pergunto o básico e quando vejo que as expressões são a do "pois, as coisas não estão bem" aí pergunto o que se passa, deixando que as pessoas desabafem.. agora perguntar directamente temos sempre a tendência de passar por lingurteiras..
    Besitos*

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  5. Odeio aqueles "Olá, tudo bem?" "Tá tudo, obrigada" em simultâneo quando encontro alguém com quem não tenho uma relação próxima.

    O que acontece é que as pessoas já estão tão habituadas à indiferença que quando alguém mostra um pouco de interesse desconfiam. Pensam que só poderá ser com segundas intenções... isto é culpa dos dias de hoje e das relações cada vez mais superficiais.

    Tou filosófica hoje :)

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  6. Quando não queremos ser inconvenientes é muito simples, pergunta genérica
    Então como vão as coisas?
    Tudo na mesma?

    depois do outro lado podem dizer o que quiserem.

    Kiss for you

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  7. Não é a vida que é complicada, as pessoas é que são. Não tem mal nenhum perguntar, é sinal de preocupação ou, pelo menos, de atenção. Quando é mais do que isso percebe-se sempre!

    Beijos

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  8. Eu admito que sou uma pessoa reservada, até com os meus amigos mais chegados, mas não é por mal... é o meu feitio!

    Mas também já aprendi a ser menos preocupada com os outros, especialmente quando -em situação invertida- os outros não se preocupam comigo!

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